Poesias, prozas, mini-crônicas, reflexões e análises...produções pessoais da autora...

sábado, 4 de outubro de 2014


Viver os sonhos é difícil.
Ver pessoas vivendo os seus sonhos é difícil. Então, que inércia é essa que sentimos?Será mesmo o seu sonho?Você consegue, de fato, sentir o impulso de buscar o que é necessário para viver?
Ela não sentia. E se perguntava, a todo momento, o por quê.
Até que um dia, mesmo não sentindo, experimentou fazer.  Fazer tudo. Desfocar sua vida, seguir outros passos, outros caminhos.
Não deu certo. Caminhou em círculos. Mas a angústia continuava. E continua. Sempre continuará.
Talvez a vida seja um eterno buscar de objetivos. Uma padronização de perfis. Desejos. Situações.
Mas só padrões. Desfigurados, figurados, só padrões.
Ela está nesse mundo sem saber o que fazer. Sem saber ir ou voltar. Não sabe o que, de fato, tem que buscar.
Que caminho feito de medo é esse?Te derruba, te põe de pé, derruba de novo...e você não consegue viver sem pensar em você. Ela não conseguia. Pensava em tudo ao redor, menos nela mesma.
Pensar além, sentir além, fazer aquém. Assim a vida vai se desenhando para ela. Sempre se perguntando para onde levar o pensar e o sentir. Sem respostas, porém sempre questionando.


quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Crônica de sentimentos


  Ela sabia como lidar com exclusão. Não era novidade.
Já foi. Na infância, na adolescência. Ali, ela apenas não entendia que só não era a primeira opção.
Quando você se vê só, tendo que lidar com seus próprios sentimentos de solidão no meio da multidão egocêntrica de amigos, a forma dolorosa da vida chega pra ser vivida.Grosseiramente. Repentinamente. Obrigatoriamente.. A partir dai, você sabe: ao seu lado, só você.
Quer gritar? Grite. Vão te ouvir? Não. É real, não vão.
Quer chorar? Chore. Existe pena no mundo. Sim, existe. Mas não pra você, que não terá nada para oferecer em troca.
Reflexão? Sim. É saber aproveitar. Cada qual tem um papel a desempenhar neste mundo. Porém, dá a impressão que existe uma padronização de perfis na sociedade. Aos quais ela, essa nossa personagem, não quer seguir mais. E foi assim que ela aprendeu a direcionar a vida de forma diferente, apenas sutil.
E, assim, a exclusão bateu à porta, sentou-se à mesa e se acomodou cedo.
E, nesta mesa, ela olhou para o convidado hostil, sentou-se à sua frente, e apenas chamou-o para um café. Um chá. Uma água.
É cedo. Mas a hora do jantar já vai chegar. E, assim, ela aprendeu a lidar.
Veio o Jantar, o café da manhã, o almoço, e de novo o jantar. E a intimidade com a senhora exclusão cresce. Até que, em um momento, ela diz:
-Você não tem medo de mim?
-Por que teria medo de você, senhora exclusão?
-Todos me temem. Acham que posso trazer fraquezas, frustrações, raiva...
-Não tenho medo de você. Tudo o que as pessoas acham que você traz, já chegou por outros meios! Nada é tão assustador que eu não possa aprender a lidar. Aprendi a conversar. Assim como te ofereci um jantar pra você ficar, ofereci um almoço pros outros sentimentos. Eles ficaram e gostaram. É assim que faço amigos.
-Você nos tem como seus amigos? – Perguntou a senhora exclusão, olhos arregalados sobrancelhas arqueadas.
-E por que não seriam?Tenho que aprender, não é mesmo? Mais de vocês virão. Um através do outro. Não tenho que ter medo.
“Deus me colocou no mundo comigo mesma. Sem dependências. Tenho que viver para saber estar sozinha. Não estar sozinha será só consequência.”
As duas se olharam por um minuto. Depois, apenas voltaram a comer. Pois, por mais frio que alguém possa ser, sempre existirão sentimentos.
E eles sempre puxarão uma cadeira em sua casa pra ficar e serem bem servidos.
Caminhos estão ai para serem seguidos. Sem barreiras. Sem resistências.