Ela sabia como lidar com exclusão. Não era
novidade.
Já foi. Na
infância, na adolescência. Ali, ela apenas não entendia que só não era a
primeira opção.
Quando você se
vê só, tendo que lidar com seus próprios sentimentos de solidão no meio da
multidão egocêntrica de amigos, a forma dolorosa da vida chega pra ser
vivida.Grosseiramente. Repentinamente. Obrigatoriamente.. A partir dai, você
sabe: ao seu lado, só você.
Quer gritar?
Grite. Vão te ouvir? Não. É real, não vão.
Quer chorar?
Chore. Existe pena no mundo. Sim, existe. Mas não pra você, que não terá nada
para oferecer em troca.
Reflexão? Sim. É
saber aproveitar. Cada qual tem um papel a desempenhar neste mundo. Porém, dá a
impressão que existe uma padronização de perfis na sociedade. Aos quais ela, essa nossa personagem, não
quer seguir mais. E foi assim que ela aprendeu a direcionar a vida de forma
diferente, apenas sutil.
E, assim, a
exclusão bateu à porta, sentou-se à mesa e se acomodou cedo.
E, nesta mesa, ela
olhou para o convidado hostil, sentou-se à sua frente, e apenas chamou-o para
um café. Um chá. Uma água.
É cedo. Mas a
hora do jantar já vai chegar. E, assim, ela aprendeu a lidar.
Veio o Jantar, o
café da manhã, o almoço, e de novo o jantar. E a intimidade com a senhora exclusão
cresce. Até que, em um momento, ela diz:
-Você não tem
medo de mim?
-Por que teria
medo de você, senhora exclusão?
-Todos me temem.
Acham que posso trazer fraquezas, frustrações, raiva...
-Não tenho medo
de você. Tudo o que as pessoas acham que você traz, já chegou por outros meios!
Nada é tão assustador que eu não possa aprender a lidar. Aprendi a conversar.
Assim como te ofereci um jantar pra você ficar, ofereci um almoço pros outros
sentimentos. Eles ficaram e gostaram. É assim que faço amigos.
-Você nos tem
como seus amigos? – Perguntou a senhora exclusão, olhos arregalados
sobrancelhas arqueadas.
-E por que não
seriam?Tenho que aprender, não é mesmo? Mais de vocês virão. Um através do
outro. Não tenho que ter medo.
“Deus me colocou
no mundo comigo mesma. Sem dependências. Tenho que viver para saber estar
sozinha. Não estar sozinha será só consequência.”
As duas se
olharam por um minuto. Depois, apenas voltaram a comer. Pois, por mais frio que
alguém possa ser, sempre existirão sentimentos.
E eles sempre puxarão
uma cadeira em sua casa pra ficar e serem bem servidos.
Caminhos estão ai para serem seguidos. Sem barreiras. Sem resistências.